sexta-feira, 10 de junho de 2011

A SACANAGEM POR TRÁS DAS RELAÇÕES


Acredito que a grande sacanagem nas relações já começa pelo fato de que toda relação é de conveniência, ou seja, você a cultiva e mantêm porque tem algum interesse. Cessado ou saciado este interesse a relação tende a acabar. Pode até acabar bem, quando alguém não se sente prejudicado, mas geralmente não é assim que funciona.

Não sei também se poderia ser diferente, pois isto parece ser inerente ao ser humano. Todas as relações são assim e se pudermos classificar uma sacanagem como sadia, este modelo é uma delas.

Mas e quando a sacanagem é doentia? Aquela que faz com que alguém saia prejudicado levando a relação para um término precoce, não planejado e muitas vezes trágico. Aí, meus amigos, nós estaremos entrando no mundo dos negócios. Um terreno fértil para este tipo de ocorrência que vai de uma simples fofoca a processos que destroem profissionais, parcerias, instituições e empresas.

Exemplos comuns do dia-a-dia todos podem citar algum, ou aquele que viveu na própria pele ou aquele que presenciou junto a amigos, parentes ou colegas de trabalho. Quem sabe até aquele caso que você mesmo provocou e que começou com um simples comentário maldoso ou atravessado diante de sua equipe de trabalho.

Contudo, existem os grandes exemplos. Aqueles que estão vivos em nossa memória e até hoje, depois de muitos anos, não sabemos na verdade o que aconteceu. Lembram-se do caso da Escola de Educação Infantil Base em São Paulo? Era uma escola infantil que repentinamente foi acusada de submeter alunos a orgias sexuais, que inclusive eram filmadas. Ao final nada foi provado. Contudo, a escola foi depredada e saqueada e seus donos faliram, além de terem sofrido constantes ameaças de morte através de telefonemas anônimos. Nunca mais foram os mesmos, sendo este um verdadeiro caso de assassinato social.

Outro caso, talvez mais emblemático, foi o que aconteceu com o cantor Wilson Simonal. Um artista talentoso, famoso e com um futuro brilhante pela frente, que de repente parou de fazer shows, não gravou mais e não conseguia nenhum musico para acompanhá-lo nas apresentações. Aos poucos as coisas se esclareceram e Simonal estava sendo acusado, no meio artístico, de ser dedo-duro do DOPS, o famigerado Departamento de Ordem Política e Social, para onde eram levados os presos políticos. Simonal desapareceu e acabou morrendo pobre e sozinho, vítima do alcoolismo. Este foi o verdadeiro caso de assassinato artístico.

E quantos assassinatos profissionais são cometidos dentro das empresas? Sejam por fofocas, informações desencontradas, conflitos mal resolvidos, ciúmes, inveja, puxa-saquismo ou privilégios inadequados. Aí entra a grande responsabilidade dos líderes: agir em todas estas situações para que estes fatos não se tornem rotina dentro das empresas.

Ações e ferramentas simples podem ser aplicadas para minimizar efeitos negativos das relações. Alguns exemplos:

* Para acabar com fofocas, nada melhor do que criar um meio de comunicação que esclareça e divulgue os fatos e que também disponibilize decisões e outras informações de interesse geral. Pode ser um Jornal Interno, de periodicidade bimestral e que atue também nas comunicações urgentes. Murais e Quadros de Avisos bem estruturados também podem ajudar a divulgar a informação correta, se antecipando assim aos fofoqueiros de plantão.

* Para se comunicar com sua equipe faça Reuniões Periódicas ou se reúna pessoalmente com todos para passar informações, mudanças ou decisões importantes. Seja o mais transparente possível, não se esquecendo de divulgar dados importantes, tais como: diretrizes estratégicas, políticas da empresa, custos de insumos, lucratividade e situação atual do mercado. Não mande recados ou deixe que outra pessoa faça isto por você.

* Crie Encontros Mensais para conversar com sua equipe, onde todos poderão dar sua opinião e conhecer a dos outros. Uma boa dica é fazer uma programação anual de encontros onde em cada um deles um assunto específico será discutido. Isto soará como um treinamento, mas fará com que todos participem e se mostrem durante os debates.

* Para saber quem é quem, de verdade, sem ser por informações de terceiros, crie os critérios para implementar uma Avaliação de Desempenho. Nela você estará medindo os resultados de cada um e divulgando para sua equipe a forma como quer que cada um atue. Pode ser feita no modelo 360 graus, onde líderes avaliam subordinados e subordinados avaliam líderes. Ela também é uma boa ferramenta para identificar pontos fortes e pontos fracos. Assim você terá condições de aproveitar ao máximo o potencial de cada um e ainda elaborar treinamentos para minimizar ou corrigir as fraquezas de sua equipe.

* Seja um bom ouvinte e dê valor a qualquer informação que chegue até você. Mesmo que ela possa parecer absurda. Cheque e dê retorno aos envolvidos. Não deixe pendências sem solução.

* Cumpra o que foi combinado e nunca aja diferente do que acordou com sua equipe. A credibilidade e a confiança são as bases para uma relação sadia.


A gestão das relações interpessoais nas organizações é uma função dos líderes e deles devem ser cobrados, com veemência, os resultados deste trabalho. Não deixe que o “jogo sujo” seja uma prática dentro de sua empresa.

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